Fla investe R$ 58 milhões em reforços em 2017; aumento de 544% em cinco anos

Clube gastou R$ 9 milhões em compra de direitos econômicos no primeiro ano da gestão Bandeira. Em 2017 soma já chega quase a R$ 60 milhões. Rubro-negro ainda avalia novas vendas

GloboesporteÉverton Ribeiro é um dos oito reforços do Flamengo para 2017 (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Os dois jogadores mais caros do elenco decidiram a partida contra a Chapecoense. Guerrero, com três gols e passe para outro, e Diego, dois e uma assistência, são símbolo do Flamengo que tenta voltar ao topo do futebol brasileiro - apesar dos tropeços, como a nova eliminação precoce na primeira fase da Libertadores - com regra simples: quanto mais dinheiro e mais investimento no futebol, mais forte fica o elenco rubro-negro, com tantas opções para usar de 11 a 14 jogadores por partida.


A compra de Éverton Ribeiro, uma das transações mais caras da história do clube da Gávea, é o símbolo de um levantamento inédito obtido pelo GloboEsporte.com. De R$ 9 milhões em 2013, no primeiro ano da gestão Bandeira, até R$ 58 milhões em 2017 há um salto impressionante de 544% em cinco anos na aquisição de direitos econômicos de jogadores de futebol - mais de seis vezes o empenhado em contratações no primeiro ano de gestão. Ao todo, em cinco anos, são 61 atletas contratados - nem todos em compras de direitos econômicos, conforme lista que você confere no fim da reportagem com todos nomes contratados pelo Flamengo na gestão Bandeira.


Abaixo, observe o gráfico com informações de maneira resumida do aumento de aporte do clube na contratação de jogadores. Hoje, o Flamengo administra uma folha salarial de R$ 9 milhões. Outro salto dos últimos tempos no clube. O avanço é gradual. No fim do ano passado o futebol tinha vencimentos na casa de R$ 7,5 milhões.




A mudança de patamar do Flamengo se deu, principalmente, a partir de 2015, embora naquele ano o investimento na compra de direitos econômicos tenha sido o menor da série histórica – de R$ 8,5 milhões. Naquela temporada, o clube contou com a Doyen para comprar Marcelo Cirino (sem gastar um tostão) e investiu em compras de menor expressão, como foi o caso de Jonas, que veio do Sampaio Correa (MA). Os mais altos investimentos foram nas chegadas de Guerrero, que não envolveu compra de direitos econômicos, mas luvas milionárias ao camisa 9 do Flamengo. Outros casos do tipo foram de Ederson, Sheik e Alan Patrick. Este último, por empréstimo.

As perguntas da reportagem foram enviadas ao Flamengo logo depois da confirmação da contratação de Éverton Ribeiro – no dia 6 de junho. O departamento de finanças, através do vice-presidente Claudio Pracownik, enviou as respostas em 19 de junho, com detalhamento de alguns investimentos. Confira abaixo.

GloboEsporte.com: A contratação de Everton Ribeiro é a mais cara da história do clube?

Claudio Pracownik: Se não foi a maior, certamente foi uma das maiores. Teríamos que fazer uma pesquisa histórica com conversão de câmbio à época para poder afirmar isso.

Qual evolução do investimento - falando em contratações de ativos (direitos econômicos de jogadores) - que o clube vem tendo desde 2013, primeiro ano da gestão Bandeira?

Em valores aproximados e históricos, seguem os valores investidos em direitos econômicos de jogadores:

- 2013: R$9 milhões

- 2014: R$15 milhões

- 2015: R$ 8,5 milhões

- 2016: R$ 25 milhões

- 2017: R$ 58 milhões

Havia previsão no orçamento de 2017 do clube de atingir folha salarial de cerca de R$ 8,5 milhões a R$ 9 milhões. Hoje, com as novas contratações chegando, está nesse patamar?

Sim, estamos dentro desse patamar, que pode vir a ser revisto conforme novo orçamento a ser apresentado ao Conselho de Administração.


Há necessidade - ou seria recomendável, ao menos - do Flamengo negociar ou emprestar jogadores neste momento para encaixar as novas contratações?


Estamos definindo a revisão orçamentária a ser apresentada ao Conselho de Administração do Clube. Uma revisão de Usos e Fontes de recursos está, portanto, em andamento e será submetida para tal aprovação. A venda ou empréstimo de jogadores será avaliada dentro deste contexto.


Quanto o Flamengo ainda tem para pagar dos últimos reforços, incluindo a operação por Éverton Ribeiro e Rhodolfo?


Incluindo o Marcelo Cirino e sem contar com o Éverton Ribeiro e Rhodolfo, temos a pagar R$32 milhões em reforços ainda.


(Nota da redação: incluindo Cirino, caso este não seja negociado ao fim do contrato com o Fla (em dezembro deste ano) ou não haja entendimento com a Doyen, o Flamengo paga 3,5 milhões de euros (R$ 13 milhões pela cotação desta sexta-feira) pelo percentual dos direitos do atacante, além de juros de 10% ao ano, ao parceiro. O que significa mais de R$ 15 milhões. Somando Éverton e Rhodolfo, o Fla ainda tem mais R$ 27 milhões nesta conta. Ao todo, mais R$ 40 milhões.)


O presidente Bandeira disse que a venda do Vinicius obrigava o Fla a rever o orçamento 2017. O Flamengo já tem definido onde vai investir a grana da venda? Servirá para pagamento de empréstimos, como, por exemplo da obra da Ilha, para compra do Everton Ribeiro?


Estamos definindo a revisão orçamentária a ser apresentada ao Conselho de Administração do Clube. Uma revisão de Usos e Fontes de recursos está, portanto, em andamento e será submetida para esta necessária aprovação. Dentro da proposta que estamos elaborando, uma parte importante dos valores arrecadados com a venda do Vinicius Júnior será destinada ao Departamento de Futebol, seja na compra de novos jogadores (para o time principal e para a base), seja para investimento em equipamentos, infraestrutura e sistemas julgados importantes para o citado Departamento.


As venda do Jorge e do Vinicius devem ter aumentado e muito a previsão de receitas do ano. Com as receitas extraordinárias qual a previsão total de receitas?


São superiores a R$600 milhões.

junho 24, 2017
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